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Segunda opinião médica: um direito do cidadão

A coluna desta semana – parte de uma série de 12 publicações destinadas a discutir propostas para o setor privado de saúde – chama a atenção para a importância, em alguns casos, de se obter a segunda opinião médica. A postura vem se tornando tendência, devido à insegurança de pacientes quanto a determinados diagnósticos clínicos. O tema é tão atual que virou objeto de pesquisa da Universidade de Medicina de Juiz de Fora (UFJF). Estudo divulgado pela instituição em 2012 apontou que, nos cinco anos anteriores, quatro em cada 10 pacientes ouvidos procuraram avaliações médicas distintas.

Qualquer decisão na área da saúde implica grande responsabilidade e certa carga emocional. Por isso, para o bem-estar psicológico do paciente e, principalmente, pela segurança física, é seu direito querer obter outro ponto de vista antes de decidir por cirurgia ou procedimento mais complexo. Afinal, trata-se de área em que um erro pode ser fatal.

No levantamento da universidade, ficou constatado que os próprios médicos já aceitam a prática: 79% estimulavam seus pacientes a ouvir a segunda opinião. Para a FenaSaúde, estudos como este, que sondou aproximadamente 100 médicos e 500 pacientes, reforçam o debate sobre cirurgias  contraindicadas e confirmam que o brasileiro está cada vez mais consciente de sua saúde e à procura de métodos menos traumáticos para alcançar a cura e o bem-estar.

Muitas instituições já incorporaram a segunda opinião médica aos serviços que prestam. Em programa para reavaliação de indicações de cirurgias na coluna vertebral, hospital de São Paulo comprovou falhas em centenas de diagnósticos. Os resultados foram noticiados: dos beneficiários de planos reexaminados por dois anos, só 26% tiveram confirmada a necessidade da intervenção. Para 74%, o quadro de saúde melhoraria com métodos terapêuticos. Defender a segunda opinião médica não trata de desmando da operadora de saúde nem de duvidar da capacidade dos profissionais, mas, sim, de incentivar a busca pela melhor solução possível para o paciente. Cirurgia desse porte pode deixar sequelas irreversíveis. Reivindicar segurança é um direito inalienável do cidadão.