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Fórum debate sustentabilidade da Saúde Suplementar

Presidente do Departamento de Ética Médica e Políticas de Saúde da Universidade da Pensilvânia, Ezekiel Emmanuel abordou avanços e desafios do Obamacare para mudar modelo assistencial

O 1º Fórum de Saúde Suplementar, com o tema ‘Sobrevivência do Setor de Saúde Suplementar – Propostas, Metas e Responsabilidades’, começou nesta terça-feira, 24/11, no Hotel Hilton Morumbi, em São Paulo, com intenso debate sobre as políticas de saúde e as relações socioeconômicas. Promovido pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), o encontro reúne especialistas nacionais e internacionais para debater os principais desafios e oportunidades do setor. O evento também se propõe a criar uma agenda conjunta para todo o segmento de Saúde Suplementar, consolidando propostas, metas e compromissos para assegurar sua sustentabilidade.

Na abertura, o Presidente da FenaSaúde, Marcio Coriolano, fez um amplo diagnóstico do cenário da Saúde Suplementar no país. Em primeiro lugar, destacou a grande contribuição do setor, que movimenta cerca de R$ 137 bilhões anuais, ou 40% do total de todos os ramos de seguros. “Apenas para efeito de comparação, enquanto o setor de seguros como um todo tem valor agregado anual de R$ 348 bilhões, a indústria automobilística movimenta R$ 240 bilhões e a farmacêutica, R$ 71 bilhões. Esse é o tamanho da importância da proteção securitária, incluindo saúde”, comentou.

Coriolano lembrou ainda que a taxa de elevação do número de beneficiários de planos médicos no país está, já há alguns anos, bem acima do crescimento da população como um todo e que esse contingente continuará em expansão. Diante desse cenário, o Presidente da FenaSaúde ressaltou algumas das questões que vêm preocupando as operadoras de saúde e que demandam reflexões urgentes, como o crescimento das despesas assistenciais, hoje na casa de 15% ao ano (dados de junho deste ano), bem acima da inflação geral de preços.

“Se permanecerem os fatores que pressionam fortemente os custos, as atuais dificuldades podem se agravar”, comentou Coriolano, que enumerou outros pontos críticos, como o aumento do desequilíbrio entre receitas e despesas dos planos, o que vem levando muitas empresas a operar apenas com receitas financeiras; e o momento econômico adverso, que pode provocar a elevação do desemprego e pressionar o setor – só neste ano, a Saúde Suplementar perdeu 240 mil beneficiários.

“Neste fórum, nossa expectativa é exatamente debater e apontar soluções práticas para aperfeiçoar modelos de atenção à saúde e mesmo o que for possível no marco legal. Sabemos que a factibilidade de qualquer proposta, contudo, dependerá não apenas das associadas à FenaSaúde e do Governo, mas do engajamento de toda sociedade”, destacou.

Para consultor da Casa Branca, reformas são necessárias e devem promover melhorias, mas nunca alcançarão o ideal

O painel de abertura do Fórum contou com a participação de Ezekiel Emmanuel, presidente do Departamento de Ética Médica e Políticas de Saúde da Universidade da Pensilvânia (EUA), que foi conselheiro de Barack Obama na formulação do Affordable Care Act (ACA). Em sua palestra, Emmanuel apresentou o ACA, mais conhecido como Obamacare, o modelo assistencial na área de saúde adotado pelo governo norte-americano nos últimos anos.

Das dificuldades e negociações políticas para sua aprovação no Congresso aos primeiros resultados positivos do Obamacare, Emmanuel fez uma retrospectiva da implementação do ACA nos Estados Unidos. Apesar das grandes diferenças entre os sistemas de saúde brasileiro e norte-americano, ele deixou como mensagem algo que é válido para qualquer país ou circunstância: apenas com a participação de toda sociedade, o que inclui a população, operadores de saúde e governo, entre outros, é possível chegar a um modelo sustentável que beneficie todos.

Segundo ele, o ACA foi um ponto de partida para reduzir os custos da saúde, processo que passa por mudanças no modelo de pagamentos dos serviços médicos, pela desospitalização e pelo movimento que leva o médico a sair dos consultórios, para atender os pacientes em casa. “A reforma do sistema de saúde tem que promover algo melhor do que o atual. Mas nunca vai ser o ideal”, observou Emmanuel.

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